15 de jul. de 2009

Lula e Sarney, uma dupla de ases Hoje, muitos trabalhadores estão se preparando para suas campanhas salariais, como metalúrgicos, bancários, petroleiros, trabalhadores dos Correios e da mineração. Vários setores do funcionalismo municipal, estadual e federal estão em mobilização também, incluindo a atual greve do INSS. É necessário apoiar e unificar essas lutas. Cada vitória dessas categorias pode fortalecer o conjunto dos trabalhadores no enfrentamento com a crise econômica, que vai se abater com muita força sobre o país. Mas é preciso também discutir política. A maioria desses trabalhadores apoiam o governo Lula. Mesmo que fiquem indignados com escândalos como os do Senado, não os ligam ao governo. Esse é um erro grave, pois essas crises são muito importantes para entender o país.Tanto PT como PSDB e DEM estão metidos na corrupção A primeira lição que esta crise nos ensina é que o conjunto dos partidos majoritários do país está complemente envolvido na corrupção. Isso inclui em primeiro lugar o PT, que defende José Sarney, presidente do Senado e responsável pela maioria absoluta dos escândalos. Sarney foi quem nomeou Agaciel Maia como diretor administrativo do Senado em 1995. Em 1997, Maia deslocou um fundo destinado à saúde dos funcionários para três contas praticamente secretas controladas apenas por ele e que têm hoje 160 milhões de reais. Ele não poderia ter feito isso sem a ordem de Sarney. Foi também Agaciel que instrumentou, sob as ordens do senador, mais de 600 atos secretos, que nomeavam e aumentavam os salários de parentes dos parlamentares, ou que garantiam o pagamento de funcionários particulares desse pessoal com o dinheiro público. escandaloso foi o do mordomo pessoal de Roseana Sarney, que recebia 12 mil reais dos cofres do Senado. Esses atos eram secretos para nós, mas do conhecimento de boa parte dos senadores, a começar pelos diretamente beneficiados. Isso inclui todos os partidos majoritários, inclusive a oposição de direita, o PSDB e o DEM. O líder dos tucanos no Senado, Arthur Virgílio, recebeu também um "empréstimo" em dinheiro de Agaciel. Por que Sarney ainda não caiu? O presidente do Senado é a direção de tudo isso. Ele indicou os funcionários que editavam e controlavam as contas. Existem centenas de provas de corrupção e nepotismo. Seria fácil provar sua culpa e derrubá-lo.Mas Sarney é um velho cacique que sobreviveu a crises desde a ditadura militar até os dias de hoje, sempre junto ao poder. Ele sabe que compartilha a responsabilidade por esses atos com todos os partidos majoritários. É um "ás" das manobras de bastidores, um exemplar perfeito do "político" repudiado por todo trabalhador honesto.Lula também é outro "ás". Um ex-líder sindical capaz de enganar os trabalhadores dizendo que está do seu lado, quando faz um governo a serviço das grandes multinacionais, apoiado por gente como Sarney. Juntos, formam uma dupla de ases.O PT, quando já era impossível ocultar os fatos, ensaiou uma retirada do apoio a Sarney. Mas Lula em pessoa mandou o partido recuar.Para não cair, o senador ameaçou o governo com a retirada do apoio do PMDB a Dilma Rousseff nas eleições de 2010. Isso teve, pelo menos de imediato, o efeito desejado: garantiu o apoio do PT à sua permanência como presidente do Senado. A base governista é quem pode destituir ou manter Sarney. Ou seja, ele não cai porque Lula não quer. Os trabalhadores precisam saber disso! Fora Sarney! Abaixo o Senado! Perante essa realidade, nós defendemos o Fora Sarney. Abaixo o corrupto e líder dos corruptos. É fundamental também apurar as responsabilidades de todos os senadores, além de Sarney, verificando os beneficiados com as maracutaias dos atos e contas secretas.Mas não paramos por aí. Não se pode utilizar a queda do peemedebista para defender o Senado. O PSOL, neste momento, desenvolve a campanha do Fora Sarney, para, nas palavras do próprio senador José Nery (PSOL-PA), "limpar a imagem do Senado". Para nós, é o oposto. O Senado é uma instituição não só corrupta, como completamente desnecessária, mesmo em uma democracia burguesa. Não defendemos um "Senado ético", mas o fim dele. Essa instituição arcaica é utilizada como uma trava a mais para a democracia burguesa, com parlamentares em geral ainda mais à direita (por seu número bem menor) do que a Câmara dos Deputados. Uma matéria aprovada na Câmara tem de ser também aprovada no Senado, dando ainda mais garantias para a burguesia de seu controle. Essa instituição é completamente inútil, além de corrompida. Por isso, defendemos uma câmara parlamentar única.Essa câmara deveria ser composta por parlamentares com mandatos revogáveis a qualquer momento pela mesma população que os elegeu. Assim, não teríamos que esperar quatro anos para derrubar um desses corruptos.Fora SarneyPunição e cassação de todos os envolvidoAbaixo o Senado! Por uma Câmara parlamentar única, com mandatos revogáveis!

29 de jun. de 2009

NÃO AO GOLPE

Na manhã deste domingo, 28 de junho, o presidente hondurenho Mel Zelaya foi seqüestrado pelo exército e levado para a Costa Rica, pondo em curso um autêntico golpe de estado em Honduras.Há semanas, tem sido orquestrada uma oposição reacionária que articula a corte suprema de justiça, o parlamento, as forças armadas, os dois partidos tradicionais (Liberal e Nacional), a grande imprensa e a hierarquia das igrejas católica e evangélicas. Enquanto escrevemos esta nota, vários funcionários e embaixadores também se encontram sequestrados. Todos estes fatos se explicam pela crise do imperialismo na região, e esgotamento do neoliberalismo e o alento que a embaixada norte-americana vinha dando às alas mais reacionárias da burguesia centro-americana. Honduras é um dos paises maís empobrecidos da artificialmente dividida nação centro-americana. As décadas de ofensiva neoliberal encheram de pobres o país e empurraram milhões de hondurenhos para a emigração, enquanto que as empresas madeireiras, mineradoras, elétricas foram se apropriando do país e o tem saqueado com particular voracidade. Toda a institucionalidade política, a Corte Suprema de Justiça, o tribunal eleitoral, os partidos políticos parlamentares, estão corroídos profundamente pela corrupção, pela venalidade política e pelo entreguismo ao imperialismo.Este caráter dependente da economia hondurenha faz com que o controle central do Estado e de suas instituições seja de vida ou morte. Há cerca de dois anos que os embates entre os distintos setores da burguesia têm se agudizado.A tentativa do governo de Mel Zelaya, de realizar neste domingo uma pesquisa de opinião sobre a possibilidade de colocar uma quarta urna nas próximas eleições presidenciais, que consultaria os cidadãos sobre se querem ou não convocar uma Assembléia Nacional Constituinte, foi a razão que terminou catalizando as condições do golpe de estado.O governo de Mel Zelaya ordenou às Forças Armadas que utilizassem sua dimensão institucional para levar adiante a pesquisa. O chefe das Forças Armadas (Romeo Vásquez) desacatou a ordem, motivo pelo qual foi destituído pelo Executivo, mas logo recolocado no cargo pela Corte Suprema de Justiça.No final da semana passada, o presidente encabeçou uma mobilização para recuperar o material eleitoral para a consulta, como contra-golpe a este fato, a podre institucionalidade decide declarar ilegal a consulta e ordena que o exército atue.Os fatos demonstram com clareza a grande farsa “democrática” que têm orquestrado os governos militares centro-americanos nas últimas décadas. Anos de promessas sobre paz, democracia e respeito às instituições não evitaram que, na primeira tentativa morna de reforma e de consulta elementar aos cidadãos, se acione a máquina militar.Zelaya não está nem próximo de ser um governo “revolucionário” e “popular”. Na verdade, elementos chaves da política imperialista em Honduras, como o TLC (Tratado de Livre Comércio) e a base militar em Palmerola -, nunca foram atacados por seu governo. Na verdade, o partido liberal (partido do presidente Zelaya) faz parte da densa capa reacionária que evitou a realização da pesquisa e que, buscando desculpas legais e tecnicismos, tenta justificar este golpe.Todos sabem que as primeiras vítimas dos golpes de estado são os setores populares. Em Honduras, desde 2002 os trabalhadores e o povo vêm protagonizando lutas multitudinárias em defesa da água, do emprego, do ensino, das florestas e de condições básicas de vida. Têm construído uma ferramenta chave de luta - a Coordinadora Nacional de Resistencia Popular - e têm avançado em sua independência política apresentando candidaturas independentes de lutadores (Carlos H. Reyes, Berta Caceres, Carlos Amaya). Se o paramilitarismo e o exército existiam para golpear esta resistência popular, o golpe de estado de Michelletti & cia tem como um de seus objetivos fundamentais quebrar, destruir e dispersar a força popular acumulada nestes anos.Mesmo com o golpe de estado tendo sido produzido diante dos olhares satisfeitos da embaixada norte-americana, as instituições pró-imperialistas, a OEA (ministério de colônias dos Estados Unidos) e a União Europeia querem “curar as feridas” e solucionar “desde cima” o conflito, deixando intacta a apodrecida democracia colonial hondurenha que facilitou o golpe, como pretende o secretário geral da OEA, Miguel Insulza, com sua viagem diplomática a Honduras.Nós, como socialistas centro-americanos e internacionalistas, nos colocamos desde já nas fileiras daqueles que rechaçam por todos os meios necessários o golpe de estado levado adiante em Honduras. Para nós somente as massas têm o direito de retirar este ou qualquer outro presidente do poder. Por isso, exigimos que se respeite a vontade popular que colocou a Mel Zelaya na Presidência.Como primeiro passo para o debate, queremos propor ao conjunto das organizações sindicais, populares, estudiantis e democráticas da América Central e da América Latina o seguinte plano de ação:1) Chamamos a derrotar nas ruas e com todos os meios necessários o golpe de estado em Honduras. As centrais operárias e a CNRP (Coordinadora Nacional de Resistencia Popular) devem convocar a mais ampla mobilização popular e a greve geral para destruir os golpistas nas ruas. Reaparição com vida de todos os cidadãos e funcionários desaparecidos e sequestrados. Defesa de todas as liberdades democráticas.2) Não reconhecimento e bloqueio continental diplomático e econômico ao governo de Roberto Michelletti. 3) Julgamento, castigo e prisão para todos os responsáveis materiais e intelectuais (juízs, militares) do golpe.4) A única saída para garantir as liberdades democráticas em Honduras é destruir com a mobilização popular a apodrecida institucionalidade que permitiu e orquestrou o golpe de estado. Sobre as ruínas do bipartidarismo e do velho regime e apoiado nas organizações populares, é necessário convocar uma Assembléia Constituinte Livre e Soberana, que refunde Honduras e que rompa os pactos que atam o país ao imperialismo. Movimento ao Socialismo (MAS)

15 de jun. de 2009

O colapso do sistema financeiro não é a causa, mas sim a manifestação de um impasse na economia mundial. É desta forma, em oposição às linhas de interpretação hegemônicas, que István Mészáros analisa o atual período histórico em sua nova obra, A crise estrutural do capital. No livro, o filósofo desmonta uma série de ilusões associadas aos acontecimentos recentes e afirma que a raízes da crise, na verdade, encontram-se no atual estágio de desenvolvimento do capitalismo. Crise dos subprime, crise especulativa, crise bancária, crise financeira – os nomes são muitos para a imensa expansão da aventura especulativa, que abalou o capital financeiro e, naturalmente os ramos produtivos das economias. Em resposta, governos e instituições globais jogam trilhões de dólares no sistema, ao passo que os indicadores econômicos seguem sinalizando o aprofundamento da deterioração na chamada ‘economia real’. Mészáros argumenta que é inócua a ação de governos e instituições globais que inundam a economia com trilhões e clamam pelo retorno da “confiança”. A partir de uma visão histórica e sistêmica sobre a crise do capital, o autor mostra que esta crise nada tem de nova. Pelo contrário, é endêmica, cumulativa, crônica e permanente; e suas manifestações são o desemprego estrutural, a destruição ambiental e as guerras permanentes. Com orelha de Samir Amin e apresentação de Ricardo Antunes, A crise estrutural do capital retoma, assim, as contundentes críticas propostas por Mészáros, ao passo que muitas de suas perspectivas são confirmadas na trajetória descendente da economia global e pelos excessos no sistema financeiro internacional. O autor reafirma, assim, que vivemos uma crise estrutural cada vez mais profunda, cuja superação está além da quantia de zeros destinadas para tapar o buraco do endividamento global. Com isso, Mészáros evidencia as falhas em tentativas de cunho socialdemocrata, keynesiano ou desenvolvimentista. Para o autor, a crise em desenvolvimento coloca no horizonte a relevância do marxismo e do desafio coletivo para a construção de uma maneira distinta de produzir e viver. Trechos da obraA grande crise econômica mundial de 1929–1933 se parece com "uma festa no salão de chá do vigário" em comparação com a crise na qual estamos realmente entrando. A crise estrutural do sistema do capital como um todo – a qual estamos experimentando nos dias de hoje em uma escala de época – está destinada a piorar consideravelmente. Vai se tornar à certa altura muito mais profunda, no sentido de invadir não apenas o mundo das finanças globais mais ou menos parasitárias, mas também todos os domínios da nossa vida social, econômica e cultural. Pela primeira vez na história, o capitalismo confronta-se globalmente com seus próprios problemas, que não podem ser “adiados” por muito mais tempo nem, tampouco, transferidos para o plano militar a fim de serem “exportados” como guerra generalizada. Com efeito, não há como antes nenhum indício sério do ansiosamente antecipado “declínio dos Estados Unidos como potência hegemônica”, apesar do aparecimento de numerosos sintomas de crise no sistema global. As contradições que pudemos identificar dizem respeito ao conjunto interdependente do sistema do capital global no qual o capital norte-americano ocupa, mantém e, na verdade, continua a fortalecer sua posição dominante de todos os modos, paradoxalmente até mesmo por meio de suas práticas de imperialismo de cartão de crédito – à primeira vista bastante vulneráveis, embora, até o presente momento, implantadas com sucesso e sem muita oposição. Sobre o autorNascido em 1930, na Hungria, com doze anos e meio Mészáros já trabalhava como operário em uma fábrica de aviões de carga, tendo que mentir a idade em quatro anos para isso. Graduou-se em Filosofia na Universidade de Budapeste, onde foi assistente de Georg Lukács no Instituto de Estética. Deixou o Leste Europeu após o levante de outubro de 1956 e exilou-se na Itália, onde trabalhou na Universidade de Turim; posteriormente ministrou aulas nas universidades de Londres (Inglaterra), St. Andrews (Escócia) e Sussex (Inglaterra), além de na Universidade Autônoma do México e na Universidade de York (Canadá). Ao retornar à Universidade de Sussex, em 1991, recebeu o título de Professor Emérito de Filosofia. É reconhecido como um dos principais intelectuais marxistas contemporâneos. Autor de obras como Para além do capital (Boitempo, 2002), A educação para além do capital (Boitempo, 2005) e O desafio e o fardo do tempo histórico (Boitempo, 2007), entre outros. Ficha técnica Título: A crise estrutural do capital

13 de jun. de 2009

MENTIRAS!!!

A ameaça imperialista sobre a Coréia do Norte. A Coréia do Norte realizou seu segundo teste com uma bomba nuclear no último dia 25. O fato causou a fúria do imperialismo ianque. Imediatamente o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, pediu ao mundo que se "enfrente com a Coréia do Norte", afirmando que o imperialismo está determinado a proteger a "paz e a segurança do mundo". O Secretário da Defesa americano, Robert Gates, disse que os EUA não aceitarão a Coréia do Norte como um "Estado nuclear" e ameaçou: "Não vamos ficar parados enquanto a Coréia do Norte monta a capacidade de causar destruição em qualquer alvo na Ásia ou em nós". Imediatamente os países imperialistas da Europa, o Japão, além de outras potências nucleares, ameaçaram retaliações contra os norte-coreanos, colocando a possibilidade de infligir um ataque militar ao país. Vergonhosamente, as ameaças tiveram a cumplicidade da Rússia e da China, que votaram as sanções contra a Coréia. A Coréia do Norte respondeu as ameaças com o lançamento de dois mísseis de médio alcance em direção ao mar do Japão. É improvável que o imperialismo leve adiante uma invasão contra a Coréia. Um plano desse tipo é impraticável diante do pântano militar iraquiano. Mas o governo Obama, em conjunto com a ONU e a OTAN, poderá patrocinar ataques e bombardeios contra o país. Uma enorme hipocrisia Em primeiro lugar, há uma hipocrisia enorme por trás das declarações do governo Obama e dos representantes do imperialismo europeu e seus aliados. A declaração do norte-americano, convocando "todo mundo a se levantar contra a Coréia do Norte" é totalmente alucinante e empalidece diante dos crimes cometidos pelo imperialismo ianque contra a humanidade. Na verdade, trata-se de mais uma campanha imperialista, auxiliada pela grande imprensa, que tenta construir outra ameaça à "paz mundial". Algo que já vimos nas campanhas de demonização a Saddam Hussein para justificar a invasão ao Iraque. Também é absurda a suposta intenção do imperialismo de evitar a "proliferação de armas nucleares", usada como desculpa para ameaças não só à Coréia do Norte, mas também ao o Irã, acusado pelos EUA de desenvolver um programa de armas atômicas. Enquanto ameaça a Coréia do Norte, os EUA - auxiliado pela ONU - simplesmente fazem vistas grossas diante das bombas atômicas de Israel, Índia e Paquistão. Isso porque esses três países são firmes aliados do imperialismo. Nenhum deles assinou o Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares e, conseqüentemente, poderão usar essas armas contra um "país não nuclear". Algo que o imperialismo norte-americano já fez. Até hoje, os EUA foi o único país que usou armas atômicas contra a população, em Hiroshima e Nagasaki, no final da Segunda Guerra Mundial. A verdadeira ameaça é o imperialismo A pressão dos EUA e seus aliados contra os países que desenvolvem armas atômicas, como a Coréia no Norte, ou tecnologia nuclear, como Irã, levanta uma discussão acalorada. Afinal, esses países têm ou não o direito de desenvolverem esse tipo de tecnologia? Para responder essa questão é necessário analisar cada caso em particular utilizando sempre um critério de classe. Não é de hoje que o imperialismo norte-americano busca impor seu monopólio nas armas nucleares para esmagar os povos e países que tenham algum grau de independência. Para isso, o imperialismo tem um importante aliado: a ONU e o seu conselho de segurança, que reúne os países imperialistas, além da Rússia e da China, que possuem a maioria do arsenal atômico do planeta. Nenhum deles tem a menor intenção de se desfazer dele. No caso norte-coreano, a questão decisiva é o fato de o imperialismo tentar impor seu controle absoluto sobre as armas nucleares, ou pelo menos fazer com que apenas os países imperialistas e seus aliados - Israel, Índia e Paquistão - as tenham. Os EUA permitiram que seus aliados desenvolvessem armas nucleares para chantagear e ameaçar os palestinos, os países árabes, e até mesmo para uma possível utilização em ataques militares táticos na guerra do Afeganistão sob a alegação de "combater o terrorismo". Longe de representar um "perigo contra o mundo", a Coréia do Norte é um país pequeno e imensamente pobre. Poderia ser riscada do mapa em poucos minutos pelo poderio militar dos EUA. As pressões e ameaças imperialistas servem apenas para forçar capitular todos os governos que possuem alguma independência em relação ao imperialismo e o enfrentam de alguma maneira. Nesse sentido, é legítimo que países ameaçados (como a Coréia do Norte) tenham o direito a armamento nuclear para que não sejam atacados pelo imperialismo e seus aliados. É plenamente justificado o temor dos trabalhadores diante de governos que desenvolvem armas de destruição em massa, como é o caso das armas nucleares. São armas que podem destruir países inteiros e causar a extinção da humanidade. É lógico que se deve apoiar a luta pelo desarmamento nuclear geral. No entanto, isso só poderá ser alcançado após a derrota final do imperialismo. Para desarmá-lo, porém, é necessária a resistência armada dos países invadidos ou ameaçados de invasão. No momento, se posicionar contra o direito da Coréia do Norte deter armas nucleares é fazer eco a campanha imperialista levantada por Obama que exige do mundo o desarmamento, sob o discurso hipócrita da "defesa da paz". Significa impedir que um país mais fraco e ameaçado não possa se defender das ameaças, enquanto o imperialismo se reserva o direito de dominar os povos, explorar e usar seu arsenal nuclear para realizar chantagens. O imperialismo é o verdadeiro perigo para a humanidade. O regime de Kim Jong-Il Por outro lado, existe uma dúvida sobre se é correto que a Coréia do Norte detenha armas nucleares, mesmo sob uma opressora ditadura burocrática comandada por Kim Jong-Il. É importante lembrar que esse mesmo regime vem negociando e entregando o país à voracidade do imperialismo desde 2006. Na época, Kim Jong-Il iniciou negociações com o governo Bush para suspender o funcionamento das usinas nucleares e ganhar algumas migalhas em ajuda dos EUA. Além disso, a ditadura norte-coreana é responsável pela restauração do capitalismo que passou a depender estreitamente da China, com a qual tem 80% do seu comércio. É lógico que os revolucionários devem combater a ditadura restauracionista de Kim Jong-Il. O que significa apoiar todas as lutas do povo norte-coreano para derrubá-lo e democratizar o país. Além disso, o governo norte-coreano não tem um projeto de independência e a qualquer momento podem ceder as pressões do imperialismo. Por isso não depositamos nenhuma confiança no regime de Kim Jong-Il e não lhe damos nenhum apoio político. Contudo, independente do regime que vigora na Coréia e de sua direção, o atual conflito se dá contra um país relativamente independente contra o imperialismo que deseja submetê-lo. Por isso é preciso defender o direito da Coréia do Norte de resistir à chantagem nuclear imperialista, desenvolvendo esse tipo de armamento. Os revolucionários, portanto, devem apoiar a Coréia no Norte neste enfrentamento contra o imperialismo e seus aliados.

22 de mai. de 2009

A IMPRENSA E A VIOLÊNCIA ESCOLAR

Um fenômeno do porte da violência é de tal complexidade que seria muito difícil abarcá-lo como um todo. A violência é conceituada, na literatura, de muitas formas diferentes; as rotulações e classificações são apresentadas sem a especificação de critérios, ou com critérios confusos, a questão subjacente ao problema da definição, segundo Emery e Laumann-Billings (1998), reside no fato de a conceituação de violência ser inerentemente dirigida pelo julgamento social, cuja pluralidade quase impede uma formulação consensual.
A escola, como qualquer outra instituição, está planificada para que as pessoas sejam todas iguais. Há quem afirme: quanto mais igual, mais fácil de dirigir. A homogeneização é exercida através de mecanismos disciplinares, ou seja, de atividades que esquadrinham o tempo, o espaço, o movimento, gestos e atitudes dos alunos, dos professores, dos diretores, impondo aos seus corpos uma atitude de submissão e docilidade. Assim como a escola tem esse poder de dominação que não tolera as diferenças, ela também é recortada por formas de resistência que não se submetem às imposições das normas do dever-ser. Compreender essa situação implica aceitar a escola como um lugar que se expressa numa extrema tensão entre forças antagônicas.
O conjunto de condutas "indisciplinadas" que sempre aconteceram nas escolas passou a ser interpretado e classificado como violências, a redução da violência à delinqüência é um produto de origens históricas de identificação da violência com a criminalidade, muito presente no senso comum. Credita-se à mídia uma atuação capaz de contribuir grandemente para a manutenção desta identificação, tão criticada por Minayo (1994), por deixar de incluir a dominação política e econômica nas sociedades e todas as implicações dela decorrentes, desconsiderando, portanto, as violências estrutural e de resistência. Acrescente-se que essa visão reducionista e preconceituosa, de acordo com Cruz Neto e Moreira (1999), aponta para a segurança pública e a repressão policial como as únicas esferas em que se dariam o combate e a prevenção da violência. Isto remete à questão da causalidade da violência.
"Talvez o A escola pública democrática ainda é uma busca e uma construção cotidiana no Brasil e tem permanecido, enquanto representação social, como uma escola idealizada por alunos, professores, direção e pela comunidade em geral. Se, por um lado, temos a educação como um dos direitos do exercício pleno de cidadania de crianças, adolescentes e jovens no Brasil, ainda que assegurado constitucionalmente (Brasil, 1988), por outro, o que vemos são instituições escolares à mercê de políticas educacionais insuficientes, descontínuas e afastadas da realidade social da população que deseja atingir, estamos distantes da oferta de um ensino-processo capaz de criar perspectivas de futuro em nossos jovens, pois as escolas, em sua maioria, têm funcionado muito mais como dispositivos disciplinares produtores de subjetividades coletivas subjugadas do que, propriamente, contribuído para a formação dos jovens, seja na direção de suas aspirações e desejos, seja como cidadãos autônomos. O sistema escolar tem reduzido sua função de "ensinar", a transmitir conteúdos, habilidades, competências para a inserção no mercado. Conseqüentemente tem estado mais sensível às demandas do mercado do que aos grandes embates da sociedade. Com relação à infância e à juventude, talvez tenha estado mais preocupado em torná-las empregáveis do que em entender os perversos processos de sua destruição por meio das diversas formas de violência". (GONZALEZ ARROYO, Miguel)
O modo como o fenômeno da violência se expressa atualmente, aponta para a constatação da ausência da palavra, ausência do diálogo e de uma visão crítica, seja por parte de quem assiste ou de quem vivencia a violência. A escola, a família e os meios de comunicação teriam função extremamente importante na abertura deste diálogo, mas à medida que as duas primeiras se calam e os meios de comunicação não param de falar de maneira sensacionalista, a cultura da revolta diante do que choca, do que deveria espantar, transforma-se em cultura do show e do entretenimento. Os meios de comunicação constroem uma imagem da violência em que essa é eternamente repetida, capturando o indivíduo nessa repetição, sem que haja possibilidade de simbolização por parte deste, ou seja, a violência, como linguagem pode prescindir da violência como ato social.

Existe, por um lado, uma sociedade que procura criar modelos de identidade baseados no glamour, no consumismo e na fantasia, passando a falsa idéia de ascensão social fácil, rápida e possível para todos. Njaine e Minayo (2003), ao realizarem pesquisa sobre violência em escolas públicas e particulares, junto a professores e alunos, relatam que os professores vêem a televisão como um meio que contribui na formação da identidade dos jovens, promovendo esses modelos de ascensão, considerados, como "maus modelos", tais como os artistas, pagodeiros, jogadores de futebol, manequins. Estes modelos preconizam que existe um jeito fácil de se alcançar sucesso, que dispensa o estudo e o trabalho, assim como o de enriquecer fartamente, através das figuras de políticos que ganham fortunas de maneiras ilícita são considerados ?normais?.

A violência na escola reflete "apenas" o resultado de uma sociedade baseada no capitalismo selvagem, sem valor ético. A reprodução do sistema que oprime, onde existe não existe a figura do sujeito crítico apenas o cidadã consumidor.

João Filho- Professor da rede pública de São Paulo. Professor de história e pós graduado em met. do ens. de filosofia.

No âmbito do binômio - pe não são
as r violência

16 de mai. de 2009

QUEM MANDA NA EDUCAÇÃO?

A forte influência exercida pelo Banco Mundial (BIRD) na política macroeconômica brasileira irradia-se sobre diversos setores, entre eles, a educação. O Banco Internacional para o Desenvolvimento e a Reconstrução (BIRD), também conhecido como Banco Mundial, criado em 1944, na Conferência de Bretton Woods, estabelece relações com o governo brasileiro desde 1946, quando financiou projeto para o ensino industrial da escola técnica de Curitiba, Paraná, na gestão de Eurico Gaspar Dutra. Inicialmente, as suas ações foram para a reconstrução dos países devastados pela Segunda Guerra Mundial (1939-1945), passando para as ações de promoção do "crescimento econômico" dos países em desenvolvimento da América Latina e da África, financiando projetos voltados para a infra-estrutura econômica, energia e transporte. Nos anos de 1970, durante a gestão Robert McNamara (1968-1981) o Banco Mundial assumiu a política estratégica de diversificação setorial de empréstimos, redimensionando-os de acordo com os seus interesses ideológicos e econômicos para alcançar a economia dos países capitalistas devedores. Em anos recentes, a tensão entre a retórica apolítica do Banco Mundial e o caráter real de suas operações tem sido exacerbada. Embora a política de crédito do bird à educação se autodenomine cooperação ou assistência técnica, ela nada mais é do que um co-financiamento cujo modelo de empréstimo é do tipo convencional, tendo em vista os pesados encargos que acarreta e também a rigidez das regras e as precondições financeiras e políticas inerentes ao processo de financiamento comercial. Assim, os créditos concedidos à educação são parte de projetos econômicos que integram a dívida externa do país para com as instituições bilaterais, multilaterais e bancos privados (Fonseca, 1998). Dada a forte ascendência dessa instituição no Brasil, o conhecimento de suas propostas e influências no setor educativo são de fundamental importância. A educação é tratada pelo Banco como indutora de desenvolvimento das populações mais carentes. Daí depreende-se a ênfase na educação primária, que prepara a população, principalmente feminina, para o planejamento familiar e a vida produtiva."De todas as disparidades, a mais grave para o desenvolvimento é aquela que concerne ao sexo. Se a melhoria das condições de vida é impedida pelo crescimento demográfico, e se a situação social, econômica e cultural das mulheres é um fator determinante das taxas de fecundidade, o acesso das mulheres à educação reveste-se de importância crucial". (BIRD, 1980, p.25, tradução) O pacote de reformas educativas proposto pelo BIRD contém os seguintes elementos : (a) Prioridade depositada sobre a educação básica. (b) Melhoria da qualidade ?e da eficácia? da educação como eixo da reforma educativa. (c) Prioridade sobre os aspectos financeiros e administrativos da reforma educativa, dentre os quais assume grande importância a descentralização ( cabe resaltar o carater dessa descentralização, que traz a idéia de voluntarios, terceirização de serviços educacionais para ONGs e a introdução da escolha parental de serviços educacionais por meio de cupons financiados pelo Estado, ou seja delegar para outros o que é sua obrigação, inclusive constitucional) - uma perspectiva dessa descentralização pode ser identificada na própria Lei de Diretrizes e Bases da Educação LDB. A nova LDB opera mudanças significativas em relação às leis anteriores. De acordo com Carlos J. Cury (1996), há uma mudança na concepção da lei, havendo uma flexibilização em termos de planejamento e uma centralização da avaliação. A retórica do Banco Mundial sobre descentralização e participação se caracteriza pelo uso de metáforas de mercado e de conceitos econômicos. A descentralização é descrita como uma forma de "adequar a oferta de serviços às preferências individuais. (d)Um enfoque setorial. (e)Definição de políticas e estratégias baseadas na análise econômica. De acordo com Samoff (1996), o Banco enxerga a educação como uma "caixa preta", focando a atenção nos inputs e outputs e deixando de lado os aspectos da educação que dizem respeito à atividade cotidiana de professores e alunos, é importante observar que a preocupação do Banco Mundial com questões relativas à eqüidade não é baseada em imperativos éticos, mas em objetivos de eficiência econômica e competitividade. De fato, as políticas do Banco para a educação sempre buscaram fundamento na teoria do capital humano, essa teoria considera a educação como investimento na produtividade futura do trabalho. A melhora das condições sociais e o fortalecimento da sociedade civil, as reformas dos serviços sociais pregadas pelo Banco Mundial, particularmente na educação, têm o propósito de construir um amplo consenso, contribuindo para adequar a democracia às demandas de estabilidade política subjacentes ao modelo de desenvolvimento capitalista liberal. A complexidade do desafio da educação no Brasil fica reduzida ao cumprimento de objetivos que atendem mais ao imperativo econômico do sistema internacional do que à realidade local. O mais importante do ponto vista da agenda do BIRD para o "desenvolvimento social" não é a eliminação ou mesmo a redução das desigualdades, mas um amplo processo de mudança de mentalidade com o intuito de apoiar o desenvolvimento do capitalismo de mercado (Williams e Young, 1994). Com a introdução de mecanismos de mercado nos serviços públicos e o estímulo ao setor privado ­ ocultos ocultados sob a retórica da "libertação da sociedade civil" (Beckman, 1993) ­, espera-se reproduzir nos países do Terceiro Mundo as mesmas bases culturais do capitalismo ocidental desenvolvido, criando, assim, uma "nova" sociedade civil, caracterizada pelo individualismo possessivo de velhas e novas teorias liberais. João Filho-professor eventual da rede pública de São Paulo e pós graduando em met. do ens. de filosofia.

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