Aluno: JOAO PEREIRA DA ROCHA FILHO 04/10/2009 as 10:25:43 A obra “Um discurso sobre as Ciências” apresenta em suas primeiras páginas a crise de identidade das ciências no tempo em que vivemos. Esse assunto será desdobrado ao longo da obra, sendo analisados aspectos históricos das ciências naturais e sociais, bem como o atual contexto cientifico em que nos encontramos e as perspectivas para o futuro. O homem, ao longo de sua história, firmou a convicção de que a ciência evolui pelo acúmulo linear do conhecimento, isto é, considera-se, em geral, que há um acréscimo de conhecimento a cada passo da ciência. Nesse caminhar, a ciência, segundo a concepção tradicional, vai acumulando as experiências bem sucedidas e suas teorias respectivas descartando as que são consideradas não-científicas, não por acaso o positivismo caracterizou-se como uma das correntes de maior impacto e longevidade no longo processo da construção da ciência. Várias concepções se formaram ao longo da história da ciência sobre o processo de construção intelectual de conhecimentos. Dentre as concepções filosóficas de longo alcance e forte influência na construção científica até o século XXI, se destaca o positivismo. Essa corrente de pensamento tem sua origem no empirismo desde a Antiguidade. Porém, as bases concretas se instauram na Idade Moderna, que tem início no século XVI, solidificando-se no século XVIII. O contexto histórico é o do capitalismo de Estado e da constituição da classe burguesa, fazendo convergir interesses econômicos, políticos e ideais de racionalidade. O modelo de racionalidade fundamenta-se nas ciências naturais, tendo como centro a matemática e, por conseqüência, passa a ser regida por um rigoroso determinismo, apoiando-se na formulação de leis à luz de regularidades observadas. Nessa perspectiva, que caracteriza o paradigma das ciências modernas, “o rigor científico afere-se pelo rigor das medições” e conhecer passa ser compreendido como quantificar, dividir e classificar (SOUSA SANTOS, 1988, p.5). Esses princípios epistemológicos e metodológicos são restritivos. Caracterizando-se como um modelo autoritário e que não corresponde às necessidades humanas, opondo-se duramente ao senso comum e afastado da natureza e das carências humana. Esta é a maior maior crítica que Boaventura remete à estrutura em que esta ciência constituiu-se ao longo dos tempos. Baseando-se em um mundo totalmente cognoscível e organizada a partir de uma ordem cronológica, espacial que a tornou verticalizada, fundada numa dinâmica que ele chama de “determinismo mecanicista” e que tem permeado diretamente no comportamento e imaginário da sociedade. “Um conhecimento baseado na formulação de leis tem como pressuposto metateórico a ideia de ordem e de estabilidade do mundo, a ideia de que o passado se repete no futuro” A ideia de um mundo comparável a uma máquina, cujas operações são determinadas através de leis físicas e matemáticas; a idéia de ordem e de estabilidade do mundo. - No século XIX, criam-se condições para emergir as ciências sociais, esta diferenciada do modelo mecanicista das ciências naturais, para ser empíricas. Os primeiros obstáculos aparecem entre as ciências sociais em relação ás ciências naturais, pois aquela reivindica um “estatuto epistemológico e método próprio, com base na especificidade do ser humano e sua distinção polar em relação à natureza” (p.34). As ciências sociais procuraram munir-se de ferramentas metodológicas próprias, pois “será sempre uma ciência subjetiva e não objetiva como as ciências naturais” (p.38) Uma vertente defendia a aplicação de um modelo de ciências sociais erigido a partir de pressupostos das próprias ciências naturais, tendo portanto um caráter de conhecimento universalmente válido, A segunda vertente irá defender uma metodologia própria, na qual as dificuldades em compatibilizarem-se os dois campos das ciências, naturais e sociais, são instransponíveis. Apesar de serem aparentemente diversas, as duas correntes acabam por dar maior relevância às ciências naturais do que às ciências sociais. De fato, a segunda vertente serviria como um indício da crise do modelo até então hegemônico. O autor levanta quatro justificativas para evidenciar tal crise: a teoria da relatividade, a mecânica quântica, os questionamentos da matemática e os avanços tecnológicos da microfísica, química e biologia. Quanto ao primeiro factor teórico, Einstein (domínio da astrofísica) revolucionou as concepções de tempo e espaço absolutos de Newton, dando à luz o conceito da relatividade da simultaneidade, Esta teoria contraria a concepção de tempo e espaço absolutos de Newton surgindo uma nova ideia de tempo e espaço, e com ela a noção de relatividade dos fenômenos. segunda condição que expõe a crise deste paradigma científico remete-se à mecânica quântica que evidencia a impossibilidade de se observar um objeto sem que haja interferência nele, resultando que “o objeto que sai de um processo de medição não é o mesmo que lá entrou” (pág. 25) O terceiro factor surge com as investigações de Gödel que vêm demonstrar que o rigor matemático também carece de fundamento, e isso põe em causa, também, o rigor das leis da natureza. A quarta e última condição teórica, representada principalmente pela teoria de Prigogine, está relacionada à quebra do modelo de mecanicismo linear do modelo newtoniano. Há, a partir da segunda metade do século XX, o desenvolvimento de um movimento convergente entre ciências naturais e sociais, caracterizado em grande parte pela transdicisplinaridade, designado por Jantsch como o “paradigma da auto-organização” (7) Boaventura propõe um modelo a qual denomina “paradigma de um conhecimento prudente para uma vida decente” (pág. 37). ele dá conta em meio a um aparato científico tão abrangente, as perguntas e questionamentos tão complexas já não são capazes de interrogar tamanho processo de desenvolvimento da sociedade. Ele acredita, assim como Einstein, que em questionamentos simples como os feitos por uma criança são capazes de nos fornecer esclarecimentos tão próximos da realidade que nos forneceria mais segurança à tantas perplexidades do mundo moderno. Essas crianças devem estar presentes em cada um de nós. para o autor deve vigorar os estudos humanísticos que, não ocorrerá sem que as humanidades sejam, também, profundamente transformadas, defende que todo o conhecimento é também social e introduz “conceitos de historicidade e de processo, de liberdade e de autodeterminação e até de consciência” (Santos, 1990, p.38). Ainda para BoaventuraTodo o conhecimento é local e total” (Santos, 1990, p. 46). A ciência moderna tem a tendência a especializar-se cada vez mais, à medida que o conhecimento progride mas para ele ele é hora de estabelecerlecer a idéia de que o conhecimento científico deva fundamentar-se na conciliação de diversas áreas das ciências existentes da atualidade, enfatizando a interdisciplinaridade e transdisciplinaridade para alcançar uma dimensão mais aproximada do real. As fronteiras entre as áreas de conhecimento devem limitar-se a pequenos detalhes, visto que todo e qualquer conhecimento desenvolvido pelo homem deve ser utilizado para promover-lhe uma vida decente.
Por Por Daniela Gillone LA TETA ASSUSTADA“La teta asustada” conta a história de mulheres peruanas que foram estupradas durante a ditadura militar no Peru, mostrando o trágico do imaginário andino e a conflituosa relação das diferenças sociais no país. O filme é um espelho da realidade vivida no Peru, onde a dominação por parte da população privilegiada sobre os nativos é revelada com a paisagem típica do subdesenvolvimento peruano, com andinos entre as colinas e as longas escadarias que levam a outras colinas, em contraste com o contexto urbano da cidade Lima, com pessoas letradas e endinheiradas. A ficção que a cineasta peruana Claudia Llosa constrói com a complexa relação entre mãe e filha, originárias das comunidades indígenas andinas que migram para a cidade, deixa latente o pânico gerado pela violência sexual. É através da doença “la teta asustada”, contraída pelo leite materno, que a personagem cria um universo próprio como forma de se proteger do mundo externo. A subjetividade vivida por Fausta, com canções e gestos entre as pérolas e flores que guarda, e a aspiração por levar o corpo da mãe ao povoado onde viveu, se aproxima de Selma, personagem vivida por Björk, em Dançando no Escuro (Dancer in the Dark, 2000). Ambas as personagens que vivem entre situação trágica e mundo imaginário têm um objetivo que as desafiam na superação da realidade: Selma com a dança e encenações ante a necessidade de conseguir dinheiro para tratar a doença do filho, e Fausta, com flores, pérolas e canções que a encorajam no trabalho como doméstica para financiar o funeral da mãe. O filme inicia com planos-sequências da mãe de Fausta, entoando canções andinas, e da casa em que mora com o tio que organiza festas de casamentos. Aparece também o momento em que a família está fazendo os preparativos para o matrimônio da filha, e Fausta desmaia por presenciar a morte súbita da mãe. Tal situação a leva ao hospital e a obriga a enfrentar seus medos para conseguir realizar um funeral digno e também se livrar do segredo que oculta em seu corpo: uma batata na vagina como escudo para se proteger de um possível abuso sexual.A frase “Los infectados (por la teta asustada) nacen sin alma, porque del susto se escondió en la tierra” proferida pelo tio de Fausta, para justificar ao médico o porque da sobrinha ter introduzido uma batata na vagina como defesa, mostra a relação do povo andino com a terra e também o que o acontecimento, a violação de mulheres durante o conflito armado entre as décadas de 60 e 70 no Peru, fez com o imaginário popular andino. O susto que essas mulheres andinas passaram, ao serem violadas e engravidadas por militares, se torna uma patologia que para nós é vista como um mito, mas no imaginário andino toma uma proporção capaz de trazer os sintomas para o leite materno. O susto que se escondeu na terra, e por conseqüência o sintoma de Fausta, é revelado na relação dramática entre seu espírito, que traz o pranto vivido pela mãe, e seu físico, que traz uma infecção por ter introduzido uma batata na vagina para se proteger a qualquer situação que possa remetê-la ao passado da violação. A força que Fausta concentra para conquistar seu objetivo; trabalhar como doméstica para conseguir dinheiro para o enterro da mãe, que é embalsamada e guardada dentro da casa, é o que engrandece a personagem que, no final, consegue trazer rupturas aos padrões de seu comportamento construído como filha de mulher andina que foi violada e contaminada pelo medo. A história trágica ganha beleza e poesia com o realismo mágico. A dura realidade do medo que Fausta sente por ter de andar sozinha entre a cidade e colinas, trabalhar na casa de uma mulher rica e interesseira, não se aproximar da presença masculina, e tirar o tumor que a batata causou em sua vagina se dissolve entre as dunas, quando salta aos gritos, carregando sua mãe embalsamada até o banco do mar. É essa rota de sua liberação que nos traz a necessidade de conhecer parte da história andina. Para opovo andino, a batata, quesignifica vida, é a base de sua alimentação. No mundo simbólico de Fausta, o princípio do povo andino é o fim para sua proteção. São vários os significados atribuídos à batata no filme: desde sua utilização nos quintais e nas festas de matrimônios como a de proteção em uma vagina jovem, mostrando o imaginário coletivo do medo sobre a violência sexual que houve no conflito armado. A proposta de Llosa não se opõe ou inventa uma realidade, só faz um recorte de uma memória que ficou esquecida para o peruano. A diretora comenta que seu interesse por criar a ficção surgiu ao conhecer a história do conflito armado, enquanto pesquisava em uma biblioteca nos Estados Unidos sobre o povo andino. Antes de realizar o filme, Llosa constatou que os anos de ditadura no país deixaram as mulheres violadas tomadas por um susto que, no imaginário andino, ainda permanece sobre a terra. O filme também revela o matrimônio como necessidade social do povo andino, mostrando como parte da população se casa. É com as cenas das festas populares que a diretora constrói, com realismo mágico, o imaginário andino. Mostra a felicidade desses povos se casando, em contraponto à negação que a personagem principal constrói para aspirar um matrimônio. Daniela Gillone é jornalista e coordena o curso de extensão universitária Cinema e Identidade, promovido pelo Memorial da América Latina. danielagillone@gmail.com
Bonner e Fátima Bernardes fizeram questão de nos lembrar das tantas glórias conquistadas pelo JN e pelo jornalismo da emissora. Matérias intermináveis — intermináveis mesmo, de quase 15 minutos — exaltaram os feitos do telejornal. Os mais antigos repórteres (os que certamente melhor cumprem ordens do patrão) foram chamados à bancada e, ao vivo, recordaram as coberturas dos fatos que marcaram a história recente do país. Telespectadores desavisados, desconhecedores de episódios importantes da vida nacional, talvez até tenham ficado com lágrimas nos olhos. É fato incontestável que o Jornal Nacional consolidou-se desde a década de 1970 (estreou em 1969) como símbolo do poder das Organizações Globo. Com uma estrutura quatro, cinco ou seis vezes maior do que os telejornais de suas concorrentes, ainda hoje bota medo na maioria dos políticos, que temem ser alvos de abordagens, digamos, pouco simpáticas. Quando as menções são positivas, aí é só festa. Dá até pra pensar em vôos mais altos. Símbolo maior desse poder é o fato de seu lobista-chefe ser chamado de "senador" nos corredores do Congresso Nacional. Sem nunca ter sido candidato nem eleito para cargo algum, desfruta de poderes que nenhum parlamentar possui. O JN tem todo o direito de comemorar o que bem entender. Aliás, a Globo é perita em se autopromover. Já fez isso em diversas ocasiões e continua a fazer com competência, posando de defensora da cultura nacional e da liberdade de expressão, além da já manjada face "solidária" que os Crianças Esperanças da vida buscam construir. O perigo iminente disso tudo é que, em um país pouco conhecedor da biografia de seus meios de comunicação, corre-se o risco de reescrever a história. O temor não se faz em vão: como historiadores cansam de afirmar, a memória coletiva muitas vezes é fruto do legado dos mais fortes. Mas voltemos ao nosso tema. Como era previsível, o JN tratou de lembrar das tantas ocasiões nas quais noticiou fatos da vida política, econômica, cultural e esportiva do país. Esqueceu-se, no entanto — e ao acaso isso não pode ser creditado —, de recordar os momentos em que o telejornal global foi ele mesmo sujeito da história. Ficou de fora da retrospectiva, por exemplo, que o surgimento e fortalecimento da TV Globo deu-se a partir de um acordo ilegal com o grupo estrangeiro Time-Life, que foi inclusive objeto de CPI no Congresso Nacional. Esqueceram de dizer que a emissora foi criada e se fortaleceu com o apoio decisivo dos sucessivos governos militares. E que seu jornalismo, em especial o JN, ignorou solenemente as torturas, os desaparecimentos e as mortes dos que lutavam contra a ditadura, como se não tivessem acontecido. O resgate histórico deixou de lado a tentativa de ignorar o movimento pelas eleições diretas nos primeiros anos da década de 1980, assim como a participação da emissora na tentativa malsucedida de fraude nas eleições para o governo do Rio de Janeiro, com o objetivo de evitar a posse de Leonel Brizola. A memória seletiva igualmente deu conta de apagar a participação decisiva do JN na eleição de Fernando Collor em 1989, quando a emissora editou de forma canalha o último debate entre Collor e Lula, além de utilizar contra o candidato petista as acusações lunáticas de sua ex-mulher e o sequestro do empresário Abílio Diniz. Nos anos seguintes, de forma nem um pouco sutil, foi linha de frente na consolidação da ideia — hoje comprovadamente furada — de que o neoliberalismo e a privatização de empresas estatais eram o único caminho a seguir, impulsionando a eleição e reeleição de FHC à Presidência. Há ainda uma série infindável de episódios mais recentes que poderiam ser acrescentados à lista, como a cobertura favorável ao tucano Alckmin nas últimas eleições presidenciais. Ao contrário de outras tentativas, a tática não deu certo, graças à multiplicação das fontes de informação e, quem sabe, ao aumento da consciência política das classes menos favorecidas. Fato é que, ao longo de toda a sua história, a Globo consolidou-se como os olhos e ouvidos da atrasada elite brasileira, cerrando fileiras contra movimentos sociais e quaisquer políticas distributivas. Em Brasília, seu "senador" é sempre recebido com afagos. Tapetes vermelhos se estendem aos seus pés. E assim, políticas que visam democratizar as comunicações do país são enterradas antes mesmo de nascerem. É normal, compreensível até, que o JN tente recontar a sua própria história. O que não pode acontecer é que a história não contada por ele seja esquecida por nós. * Diogo Moyses é jornalista, radialista, membro do Intervozes – Coletivo Brasil de Comunicação e autor de A Convergência Tecnológica das Telecomunicações e o Direito do Consumidor
Um grupo de manifestantes interrompeu nesta quarta-feira (9) o início do julgamento do pedido de extradição do ex-ativista político Cesare Battisti no Supremo Tribunal Federal (STF), pedindo a liberdade do italiano. Quando o presidente do Supremo, Gilmar Mendes, deu início à sessão, o grupo que estava sentado na tribuna do plenário abriu uma faixa com os dizeres “Libertemos Cesare. Libertemo-nos” e começou a dizer palavras de ordem contra o processo de extradição de Battisti. A segurança do STF agiu rapidamente, confiscando a faixa e retirando à força os manifestantes. Os manifestantes compararam a possível extradição de Battisti à entrega de Olga Benário ao governo nazista, nos anos 1930. Olga, ex-mulher do comunista Luis Carlos Prestes, foi assassinada pelos nazistas por ser judia. Outra placa afirmava que extraditar Battisti se compararia à modernização da Inquisição. "Não há por que o governo ceder a essa pressão de extraditar Battisti. Nós sabemos o caráter do governo italiano de hoje. Um governo que não prima pelos direitos humanos e está retroalimentando grupos fascistas", disse a jornalistas o deputado Ivan Valente (PSOL-SP), que acompanhava os manifestantes. Outro grupo de manifestantes se posicionou contra a extradição de Cesare Battisti do lado de fora do Supremo. Eles gritavam palavras de ordem e carregavam faixas afirmando que extraditar Battisti seria modernizar a Inquisição. O julgamento começou com o pronunciamento do relator do caso, ministro Cezar Peluso, após a leitura do relatório e as sustentações orais dos advogados das partes já feitas na tribuna. Battisti foi condenado à prisão perpétua pelo governo italiano pelo assassinato de quatro pessoas entre os anos de 1977 e 1979, quando militava no grupo PAC (Proletários Armados pelo Comunismo). Ele está detido no presídio da Papuda, em Brasília, onde aguarda a decisão do STF.
Vez que outra, assisto o último jornal da Rede Globo antes de dormir para tirar uma base do pensamento neoliberal. Sempre tiro boas lições. Mas o enlouquecimento da mídia oficial, do DEM, do PSDB esta semana está demais. Entre outras pérolas, consegui assistir o enlouquecimento tucano com a proposta para a exploração do pré-sal feita pelo governo, festa do parlamento colombiano com a permissão do terceiro mandato para Uribe, e uma tímida crítica de Jabor, lamentando que aquele democrata (segundo ele, claro), tenha se utilizado dos mecanismos de ditadores (ainda segundo Jabor) como Evo Morales, Rafael Correa e, claro, Hugo Chaves para buscar o terceiro mandato. Impagável. Ouvi também uma pesquisa de opinião que dá 70% de aprovação a Uribe! E assisti ao lançamento do novo factóide pré-2010, chamado Marina Silva. Certo, não precisávamos ter ouvido do presidente que o pré-sal é uma dádiva de Deus, se bem que até isso passa. Mas que é um presente e tanto da natureza, ah, é! Devidamente encontrado e identificado pela tecnologia de uma empresa nacional, claro. Das poucas que escaparam da fúria privatista de FHC. Não é de se estranhar, em época de parafernálias eletrônicas inimagináveis, que ao mesmo tempo, também os estadunidenses tenham sabido. Aí está a quarta frota, afinal. Mas agora, com a proposta do governo de investir, e logo, os recursos do petróleo em infraestrutura e não em especulação, é óbvia a fala da direita, estarrecida com o que eles chamam de volta à política de reestatização. Ou seja, a Petrobrás encontra uma das maiores reservas de petróleo do mundo, e tem tecnologia para explorar, vai usar os recursos para movimentar a economia dos estados produtores e tem pressa para isto.Saneamento básico, estradas, escolas, saúde, pode tudo menos contratação efetiva de funcionários. Segundo o governo, para não inchar a máquina. Argumento da direita? Isto vai pesar no eleitoral ano de 2010. Querem mais tempo para discutir, querem "transparência". Tem esperança de ganhar a eleição e dividir o pré-sal em fatias e fritá-lo em bolos privados, numa farra privatista neoliberal digna dos anos 80. Mas isto eles não dizem. Na verdade, a fúria neoliberal é resultante da disposição do governo em propor quatro pontos fundamentais: Primeiro, em manter a exploração do petróleo do pré-sal sob domínio estatal, sem permitir a orgia financeira dos tempos de FHC. O que seria bom para os tucanos? Um leilão, talvez financiado pelo BNDES? Segundo: Além de manter a exploração numa agência estatal, muda a forma. Ao invés de royaltes, que é o resultante da de concessão, altera para a forma de partilha. Ou seja, o petróleo está no subsolo do Brasil, portanto é de todos os brasileiros, e a todos deve beneficiar. Quando os DEM dizem que não existe experiência internacional que comprove maior eficiência deste sistema, é só lembrar que Arábia Saudita e demais países árabes, a Venezuela, China, África -Argélia, Angola, Líbia Nigéria, Ásia- China, Rússia, utilizam o sistema de partilha. O que a Globo chama de quase todos os países desenvolvidos do mundo, que utilizam o sistema de concessão leia-se: E.U.A., Noruega, Reino Unido, Argentina, Colômbia e até agora Brasil. A diferença entre concessão e partilha, a grosso modo, é que na primeira, empresas são escolhidas por leilão para explorar as áreas por um determinado período. Têm a propriedade do óleo produzido, arcam com os custos e levam os lucros. Em vez de o Estado ser remunerado com parte do petróleo, a concessionária paga uma quantia pré-fixada pela exploração dos campos, e fica com o grosso do faturamento. No regime de partilha, as empresas privadas operam os campos e dividem o óleo extraído com uma empresa 100% estatal, dona das reservas. As companhias são ressarcidas dos custos antes do cálculo que determina a divisão do petróleo. A garantia deste sistema é que este petróleo permanecerá ou pertencerá ao Brasil. Terceiro ponto: O discursinho mofado e enjoativo da ingerência do Estado no livre arbítrio do Deus Mercado. Mas pára tudo: pouco tempo atrás, quando a crise econômica assolou Deus mercado, não foi ao anacrônico Estado que os liberais recorreram? Os bancos, financeiras, montadoras? Exigiram socorro, investimentos, empréstimos. Diziam ser função do Estado. Pois são estes mesmos que agora reclamam que o governo quer retomar uma fase que eles chamam de superada, que é o fortalecimento do Estado. Estado mínimo? Só para o pré-sal. Ou seja, O que incomoda a estes senhores, é mesmo a perspectiva cada vez mais concreta de um Estado soberano e forte cada vez mais distante da subserviência de tempos atrás. Agora o quarto ponto: O que enlouquece mesmo a nossa direita tupiniquim são coisas que dão certo. Para o povo, não para eles. Imaginem se o pré-sal fosse encontrado 10 anos atrás, que orgia de privatizações! Porque, segundo o presidente, todos os recursos oriundos da venda do petróleo serão destinados a um fundo social para a manutenção de educação, saúde e questões sociais. Por isto, desculpo este governo chamar o pré-sal de dádiva de Deus: Ele tem pressa. Conhece a urgência da fome, e o Brasil tem urgência de sua soberania. E isto a oposição não tem. Porque a urgência do povo não cabe na incompreensão de quem não conhece nem nunca conheceu ou respeitou o povo brasileiro.
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