24 de mai de 2008

QUEM SABE FAZ À HORA

A grande maré capitalista que tomou conta do mundo, particularmente após o " fim?" dos regimes estabelecidos nos países do Leste europeu e na extinta União Soviética, não significou somente a explosão das propostas neoliberais nos terrenos económico e político. Implicou, também, uma ofensiva sem precedente da ideologia burguesa-imperialista visando à conquista dos corações e mentes em escala mundial. Uma das manifestações mais emblemáticas dessa ofensiva foi, primeiramente, o artigo, aparecido ainda em 1989, com o título "O fim da história"e, posteriormente, em 1992, o livro “O fim da história e o último homem”, ambos do norte-americano Francis Fukuyama. Qual será o legado que a geração atual deixara de herança para o futuro,acabou-se a utopia?. Há 40 anos, o mês de maio de 1968 marcou a historia como um período de transformações politicas, ideologias, comportamentais e culturais. O fato mais marcante foram os protestos em território francês, liderados por estudantes e trabalhadores. No terceiro dia daquele mês de maio, após protestos na universidade de paris,conhecida também como Sorbone,ocorreram conflitos com a polícia que deixaram mais de 100 feridos e 500 presos. No dia 13, teve inicio a greve geral. E que paralisação! O total de grevistas chegou a 10 milhões de trabalhadores. Seria necessário uma enciclopédia para enumerar cada evento importante que ocorreu do primeiro ao último dia de maio de 1968. O maio francês se desenvolveu e fez tremer a ordem mundial: nas ruas de Saigon se revelava para o mundo que o Império mais poderoso da história, militarmente, não poderia alcançar uma vitória no Vietnam; de Paris ao Rio de Janeiro, de Praga à Cidade do México, de Turim a Córdoba na Argentina, sem esquecer a nova situação dentro dos EUA e na Alemanha - só o Japão, na Tríade, escapou - e as batalhas decisivas das guerras de libertação nacional contra o Império Português na Guiné, Angola e Moçambique, em quatro continentes, a revolução abria frentes de combate. No Maio de 1968 francês se abriu uma situação revolucionária atípica, porque sem uma direção disposta a lutar até o fim para derrubar o governo, portanto, diferente das situações revolucionárias clássicas,mais não deixa de ser uma revolução. Um novo movimento estudantil saiu às ruas surpreendentemente, suas bandeiras eram vermelhas. Quando a repressão mostrou a verdadeira cara do governo De Gaulle – e, sem máscara, o que se viu foi estarrecedor – os estudantes foram para as portas das fábricas pedir o apoio do proletariado. Empolgaram a França e deixaram o mundo estupefato. Incendiaram o ânimo da maioria popular com sua imaginação política. Subverteram Paris. O movimento estudantil nunca jogou um papel tão destacado em qualquer outro processo revolucionário. Entre outras razões, porque nunca antes tinham existido tantos estudantes, em especial, tantos estudantes com uma origem social não-burguesa. Sessenta e oito foi um batismo de fogo internacional: na França e no Brasil, no México e na Argentina, e mesmo em Praga, os estudantes estiveram na primeira linha. O maio francês foi satanizado pelas forças reacionárias do mundo inteiro, e transformado em polêmica porque foi a primeira vez que um país central da ordem imperialista depois do fim da guerra em 1945 fora questionado em seu sistema, milhões se interrogaram outra vez se uma revolução social não seria possível. Essa foi sua herança mais significativa. A herança que esperamos passar para as novas gerações é que não percamos a capacidade de nos indignar pois é preciso crermos em nossos sonhos e acreditarmos numa sociedade mais justa, mais humana, mais fraterna onde não exista explorados ou exploradores. Fonte:conlute, folha universitária. recomendo: filme 2001, uma odisseia no espaço,teorema (Pier Paolo Pasolini) João Filho, professor da rede pública de São Paulo

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