7 de jul de 2008

A última eleição teve como uma de suas características a candidatura de vários famosos. Mas o pior não foi tanto a candidatura dos mesmos e sim, a vitória de alguns. com a vitória destes famosos fizeram com que alguns deputados -"celebridades" fossem eleitos sustentados não por propostas, mas sim por simplesmente serem conhecidos na mídia, ou por serem destaques por qualquer outra coisa. Em São Paulo, por exemplo, foram eleitos Clodovil e Frank Aguiar como Deputados Federais. Não vejo nenhum problema em algum destes, terem realmente ideal político, se candidatarem (ganhar é outra coisa). Mas espero que não sejam eleitos utilizando como trampolim a fama que cada um possui. Vamos analisar a idéia de cada um (que nem todos terão). Não podemos deixar que nossas câmaras sejam confundidas com câmeras (entendeu), que nossas assembléias sejam confundidas com palcos, que nossos votos sejam confundidos com ingressos, que nossos cadernos políticos sejam confundidas com colunas sociais. Enquanto PTB, PPS e PT do B filiaram artistas, famosos e celebridades para lançar como candidatos nas eleições de 2008, o PC do B de São Paulo escalou um time de esportistas, como a bandeirinha Ana Paula Oliveira e o mesa tenista Hugo Hoyama, para "fortalecer o partido" e, "quem sabe", um deles entrar na disputa eleitoral. O atual pragmatismo da política brasileira, impera de modo a gerar contradições profundas junto ao eleitor. As alianças com novos orientadores demonstra uma profunda contradição de termos, que mina a confiança comum nas instituições. Newton Cardoso, Orestes Quércia e Jader Barbalho não representam os anseios do povo.(companheiros de palanque no PT) O pragmatismo que impera em nossa senda partidária corroeu a confiança dos eleitores na capacidade de mudança, em seus variados sentidos, por meio da política. A presidente estadual do PC do B, Nádia Campeão, confirmou as recentes (?aquisições?) do partido e garantiu que nenhum dos novos filiados tem o compromisso de se candidatar. Porém, não descartou a possibilidade de a bandeirinha Ana Paula disputar uma vaga na Câmara de Vereadores de São Paulo. "Essa possibilidade existe", afirmou. Ana Paula disse que foi procurada por vários partidos, mas escolheu o PC do B A bandeirinha disse que se filiou ao PC do B "dentro do tempo hábil" --antes de 5 de outubro de 2007-- para disputar as eleições de 2008, mas não com a intenção de se candidatar. "Pode ser que na convenção indiquem o meu nome, mas minha prioridade é o futebol", afirmou. Numa sociedade de dominação as idéias da classe dominante tornam-se as idéias dominantes na sociedade Essa classe que se encontra no poder vai fazer uso de todos os mecanismos possíveis e imagináveis para distribuir suas idéias para todas as pessoas, fazendo com que acreditem apenas nelas. Quando voto num candidato estou fazendo também uma "escolha" determinada pois, na democracia representativa, os discursos são construídos de forma ideológica para convencer o eleitor de que aquele candidato é o melhor. Não foi por acaso que o filósofo Herbert Marcuse afirmou que "na sociedade, os políticos também se vendem, como sabonetes". A ideologia burguesa passa a dominar todos os nossos atos. Quando nos convencemos da verdade dessas idéias, passamos agir inconscientemente guiados por elas, ou seja, o corpo de idéias constituído atravessa nosso pensamento sem nos darmos conta e passamos a desejar o que o outro determina: quando compro um sabonete ou um creme dental, estou fazendo uma "escolha" que me foi determinada, os discursos são construídos de forma ideológica para convencer o eleitor de que aquele candidato é o melhor. Mas o que faz com que o poder de convencimento seja tão forte? Se ela é constituída por idéias que falseiam a realidade para que na sociedade tudo continue como está, por que as pessoas simplesmente não se revoltam contra ela? É parece que a coisa não é assim tão simples. Se fosse, não estaríamos imersos em todo esse processo de dominação e submissão das pessoas. Para tentar entender o processo de "?funcionamento? da ideologia burguesa" vejamos o que leva um sujeito a fumar Hollywood? Por que ele não se dá conta de que seu sucesso não depende do cigarro que ele fuma ou deixa de fumar? É claro que todo indivíduo deseja ter sucesso na vida. Mas também é evidente que, numa sociedade de dominação e desigualdades, o sucesso não é possível para todos. Para que alguns possam ser muito bem - ?sucedidos?, é necessário que muitos outros permaneçam na miséria, se for alardeado pelos meios de comunicação que o sucesso não é possível para todos, certamente teremos uma dose de inconformismo social que pode levar até mesmo a violentas revoltas.A ideologia trata então de disseminar a idéia de que vivemos numa sociedade de oportunidades e de que o sucesso é possível, bastando que, para atingi-lo, cada indivíduo se esforce ao máximo. Em contrapartida, vemos milhões de pessoas vivendo na miséria... Às vezes, alguém se esforça ao limite, mas nada de chegar ao sucesso . Ele permanece como um ideal, um sonho quase inatingível, mas do qual não abrimos mão, do qual jamais desistiremos. Você já deve Ter conseguido perceber o que estamos tentando explicar: esta ideologia funciona tão bem porque age atravessando e invadindo o íntimo das pessoas, e embora seja um corpo de idéias, não domina pela idéia, mas pelas necessidades criadas por essas idéias, pelos desejos que elas despertam. O discurso ideológico é aquele que consegue tocar nas vontades e ambições mais íntimas de cada indivíduo, dando-lhe a ilusão de sua realização. No âmbito da política, aparece da mesma forma. Observe as propagandas em época de eleições. Elas sempre tocam nas necessidades básicas das pessoas. Os candidatos que saem vencedores nas eleições são sempre aqueles que melhor conseguirem tocar nos desejos dos eleitores, que conseguiram produzir neles a idéia de uma satisfação futura. Desse modo, nem sempre votamos nos candidatos que poderiam defender melhor nossos interesses sociais; na maioria das vezes, ao contrário, votamos naqueles que, de algum modo, prometem uma satisfação para nossos desejos.Tomara que nossa esquerda se organize com pessoas sérias,renovando o quadro político caótico que aí se encontra. FONTE:Curso de Filosofia da Unimep e do Gesef Institute------------------------------João Filho- professor da rede pública de São Paulo

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