7 de set de 2008

violência além dos dois rios A bárbara morte do menino João Hélio no Rio de Janeiro voltou as atenções dos brasileiros para a questão da violência entre os jovens. A classe média pede indignada a redução da maioridade penal, como se os adolescentes pobres entrassem no mundo do crime por escolha ou por uma maldade natural. A verdade é que os jovens de periferia são as maiores vítimas da exclusão do capitalismo. Sem perspectivas de futuro, à juventude pobre não restam outros caminhos senão o crime, o desemprego ou o subemprego. A situação não é desesperadora apenas no Rio, onde há mais exposição do caos pela mídia, em razão da proximidade dos morros com os bairros da classe média alta. Em São Paulo, escondida em bairros distantes como a Vila Brasilândia ou o Capão Redondo, a violência destrói os sonhos da juventude. Associados a todos os roubos, assassinatos e outros crimes, os jovens de periferia são perseguidos pela polícia, tenham culpa ou não. Segundo o "Mapa da violência em São Paulo", elaborado pela UNESCO, em 1993 o número de mortes por homicídio na região metropolitana foi de 6.887. Dez anos depois, o crescimento foi de "apenas" 38,2%, com 9.517 pessoas assassinadas. Em 2003, a Grande São Paulo concentrava 68% das mortes por homicídio no estado. Apesar de ter havido uma "interiorização" dos homicídios, com crescimento na capital mais lento que no interior, a violência na região metropolitana segue crítica, e atinge principalmente os mais pobres. Quando se analisam os dados apenas da população jovem, de 15 a 24 anos, o quadro é ainda pior. O aumento de homicídios na Região Metropolitana de São Paulo foi de 45,6% de 1993 a 2003. Só em 2003, foram 3.950 jovens assassinados na Grande São Paulo. Considerando que no mesmo ano foram mortas 9.517 pessoas no total, a juventude representa quase a metade das vítimas da violência. A maior incidência da violência sobre os jovens fica mais nítida com os números de assassinatos a cada 100 mil habitantes. Em 2003, foram 107,7 mortos a cada 100 mil jovens de 15 a 24 anos na região metropolitana. O índice da população não-jovem é muito inferior, de 37,2. Ou seja, a juventude tem quase três vezes mais chance de morrer pela violência em São Paulo. Levando em conta a idade, os homicídios ocorreram mais em 2003 na faixa dos 20 a 24 anos, com 89,9 mortos por 100 mil habitantes na mesma situação. Apenas para comparação, o índice entre 40 a 49 anos foi de 28,5 vítimas. Para sair da frieza dos números e chegar à realidade dos jovens de periferia de São Paulo, o Portal do PSTU publica três textos, com informações colhidas por militantes da da juventude do PSTU-SP. Todos as identidades foram ocultadas ou trocadas, por segurança

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