16 de jun de 2008

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De Stedile a Joelmir Betting João Pedro Stedile Comentando seu comentário de ontem, no Jornal da Band Estimado Joelmir Betting, Vi seu comentário no Jornal da Band de ontem. E, me desculpe a petulância, mas gostaria também de comentar em respeito à sua trajetória histórica e à sua inteligência. (Não costumamos fazer isso, com outros comentaristas da direita, como os Rosenfields e Jabores da vida, que são pagos apenas para defender os interesses do lucro e do capital; e, por isso, usam suas línguas como cães-de-guarda a latir em defesa do patrão.) Mas, fiquei provocado com sua frase de que o nosso MST não é mais um movimento social e apenas um movimento político, porque estamos mobilizados e ocupando algumas instalações de empresas. Primeiro, desde o filósofo Sócrates, todos os seres humanos ao participarem de sociedades, têm vida política. A sociedade é uma organização em permanente disputa de poder, entre pessoas, grupos e classes. E, por isso, todos somos também políticos. Seu comentário e sua função são também políticos. E, obviamente, que todos atos do MST são também políticos, sem que, com isso, perdamos nossa condição de ser um movimento social que organiza trabalhadores do campo e da cidade para lutar por nossos direitos. E, assim, melhorar as condições de vida. Aliás, sugiro que quando você comentar que a Bungue se apropriou das fábricas de fertilizantes privatizadas da Petrobras a preço de Banana, diga que, além do lucro, ela também praticou um ato político, pois está em busca do controle, do poder sobre a sociedade de um bem essencial, que são os fertilizantes para a agricultura. E por ela ter esse tamanho poder político atualmente é que se deu ao "direito" de aumentar o preço dos fertilizantes em 130% em apenas um ano. A Votorantim também faz política, quando decide por conta e risco, ter poder sobre 650 famílias que vivem tranqüilamente no Vale do Ribeiro e, sem consultá-los, resolve tomar o rio, as águas e construir uma hidrelétrica para aumentar seus lucros. Você se redimiu quando deixou a pergunta no ar aos telespectadores. "Vocês acham que esse tipo de luta ajuda a reforma agrária?" A nossa resposta à sua pergunta está no manifesto que escrevemos coletivamente e que distribuímos aos milhares para a população brasileira, explicando porque estamos lutando (veja em: link do manifesto do MST ). Um forte abraço João Pedro Stedile MST PS: Ontem, nossos companheiros de Minas Gerais interromperam o trem da VALE, que passa carregado de minério dentro da cidade de Belo Horizonte e, nos últimos meses, já atropelou oito pessoas. Graças à nossa ocupação "política", a VALE assinou um termo de ajuste, no Ministério Público, se comprometendo em alguns meses a transferir os trilhos daquele bairro. A vitória foi intensamente comemorada pelos moradores do Bairro, ontem à noite. Foi a forma deles darem resposta à sua pergunta. * Economista, Membro do MST

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