O governo entendeu o recado de Dantas. Se o dono do Opportunity resolver abrir a boca, muita gente sai queimada. De todos os partidos. O momento, portanto, é de colocar panos quentes na crise e deixar a poeira baixar. E o primeiro passo já foi dado.
O delegado da Polícia Federal Protógenes Queiroz, responsável pelo inquérito contra o banqueiro Daniel Dantas, foi afastado do caso no último dia 14. Também foram afastados os delegados Carlos Eduardo Pelegrini e Karina Souza, que também atuavam no inquérito. O erro dos delegados: investigar e pedir a prisão do banqueiro. O anúncio do afastamento dos delegados ocorreu após uma reunião com a direção da Polícia Federal em São Paulo.
Oficialmente, o governo e a PF afirmam que o delegado Protógenes se afastou para se dedicar a um curso em Brasília. Claro que ninguém acreditou. O ministro da Justiça, Tarso Genro, chegou a atentar contra a inteligência pública ao afirmar que não passava de “coincidência” o tal curso e a investigação contra Dantas. Após o habeas corpus concedido ao banqueiro pelo presidente do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, o afastamento dos delegados coordenado pela Polícia Federal e o governo desmascaram a tática para proteger Dantas.
Jogando água
Na noite do dia 15, Lula convocou uma reunião que contou com a presença de Tarso Genro, o funcionário de Dantas no STF, Gilmar Mendes e o ministro da Defesa, Nelson Jobim. Além de colocar “panos quentes” na suposta crise institucional entre o Judiciário e o Executivo após os desdobramentos da Operação Satiagraha, a reunião tratou sobre uma nova lei para coibir o chamado “abuso de autoridade”.
Após a prisão de Dantas, Naji Nahas e Pitta, a ação escandalosa do STF na soltura do banqueiro e a revelação do envolvimento de políticos como o ex-deputado Greenhalgh, o problema para o governo e a Justiça são os “abusos” cometidos na prisão de criminosos de colarinho branco. Para o governo, na mesma semana em que a PM assassina uma criança nas ruas do Rio, e atira em uma vítima de seqüestro por engano, “abuso” de autoridade são algemas em banqueiros presos.
Rabo preso
A ação do governo e da Justiça tem uma explicação, porém, que não se restringe à questão ideológica de proteger os ricos. Tão logo Dantas foi preso, seu advogado Nélio Machado ameaçou divulgar “papéis” contra o PT. A ameaça não foi vazia e muitos têm motivos para se desesperar, já que o banqueiro foi o principal patrocinador do “valerioduto”. Dantas, aliás, é um verdadeiro arquivo ambulante das mais escabrosas falcatruas dos últimos anos, das privatizações de FHC ao mensalão.
Muita gente tem razão para não querer que ele fique preso.
19 de jul. de 2008
Governo aciona operação abafa para conter escândalo
O governo entendeu o recado de Dantas. Se o dono do Opportunity resolver abrir a boca, muita gente sai queimada. De todos os partidos. O momento, portanto, é de colocar panos quentes na crise e deixar a poeira baixar. E o primeiro passo já foi dado.
O delegado da Polícia Federal Protógenes Queiroz, responsável pelo inquérito contra o banqueiro Daniel Dantas, foi afastado do caso no último dia 14. Também foram afastados os delegados Carlos Eduardo Pelegrini e Karina Souza, que também atuavam no inquérito. O erro dos delegados: investigar e pedir a prisão do banqueiro. O anúncio do afastamento dos delegados ocorreu após uma reunião com a direção da Polícia Federal em São Paulo.
Oficialmente, o governo e a PF afirmam que o delegado Protógenes se afastou para se dedicar a um curso em Brasília. Claro que ninguém acreditou. O ministro da Justiça, Tarso Genro, chegou a atentar contra a inteligência pública ao afirmar que não passava de “coincidência” o tal curso e a investigação contra Dantas. Após o habeas corpus concedido ao banqueiro pelo presidente do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, o afastamento dos delegados coordenado pela Polícia Federal e o governo desmascaram a tática para proteger Dantas.
Jogando água
Na noite do dia 15, Lula convocou uma reunião que contou com a presença de Tarso Genro, o funcionário de Dantas no STF, Gilmar Mendes e o ministro da Defesa, Nelson Jobim. Além de colocar “panos quentes” na suposta crise institucional entre o Judiciário e o Executivo após os desdobramentos da Operação Satiagraha, a reunião tratou sobre uma nova lei para coibir o chamado “abuso de autoridade”.
Após a prisão de Dantas, Naji Nahas e Pitta, a ação escandalosa do STF na soltura do banqueiro e a revelação do envolvimento de políticos como o ex-deputado Greenhalgh, o problema para o governo e a Justiça são os “abusos” cometidos na prisão de criminosos de colarinho branco. Para o governo, na mesma semana em que a PM assassina uma criança nas ruas do Rio, e atira em uma vítima de seqüestro por engano, “abuso” de autoridade são algemas em banqueiros presos.
Rabo preso
A ação do governo e da Justiça tem uma explicação, porém, que não se restringe à questão ideológica de proteger os ricos. Tão logo Dantas foi preso, seu advogado Nélio Machado ameaçou divulgar “papéis” contra o PT. A ameaça não foi vazia e muitos têm motivos para se desesperar, já que o banqueiro foi o principal patrocinador do “valerioduto”. Dantas, aliás, é um verdadeiro arquivo ambulante das mais escabrosas falcatruas dos últimos anos, das privatizações de FHC ao mensalão.
Muita gente tem razão para não querer que ele fique preso.
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