22 de mai de 2009

A IMPRENSA E A VIOLÊNCIA ESCOLAR

Um fenômeno do porte da violência é de tal complexidade que seria muito difícil abarcá-lo como um todo. A violência é conceituada, na literatura, de muitas formas diferentes; as rotulações e classificações são apresentadas sem a especificação de critérios, ou com critérios confusos, a questão subjacente ao problema da definição, segundo Emery e Laumann-Billings (1998), reside no fato de a conceituação de violência ser inerentemente dirigida pelo julgamento social, cuja pluralidade quase impede uma formulação consensual.
A escola, como qualquer outra instituição, está planificada para que as pessoas sejam todas iguais. Há quem afirme: quanto mais igual, mais fácil de dirigir. A homogeneização é exercida através de mecanismos disciplinares, ou seja, de atividades que esquadrinham o tempo, o espaço, o movimento, gestos e atitudes dos alunos, dos professores, dos diretores, impondo aos seus corpos uma atitude de submissão e docilidade. Assim como a escola tem esse poder de dominação que não tolera as diferenças, ela também é recortada por formas de resistência que não se submetem às imposições das normas do dever-ser. Compreender essa situação implica aceitar a escola como um lugar que se expressa numa extrema tensão entre forças antagônicas.
O conjunto de condutas "indisciplinadas" que sempre aconteceram nas escolas passou a ser interpretado e classificado como violências, a redução da violência à delinqüência é um produto de origens históricas de identificação da violência com a criminalidade, muito presente no senso comum. Credita-se à mídia uma atuação capaz de contribuir grandemente para a manutenção desta identificação, tão criticada por Minayo (1994), por deixar de incluir a dominação política e econômica nas sociedades e todas as implicações dela decorrentes, desconsiderando, portanto, as violências estrutural e de resistência. Acrescente-se que essa visão reducionista e preconceituosa, de acordo com Cruz Neto e Moreira (1999), aponta para a segurança pública e a repressão policial como as únicas esferas em que se dariam o combate e a prevenção da violência. Isto remete à questão da causalidade da violência.
"Talvez o A escola pública democrática ainda é uma busca e uma construção cotidiana no Brasil e tem permanecido, enquanto representação social, como uma escola idealizada por alunos, professores, direção e pela comunidade em geral. Se, por um lado, temos a educação como um dos direitos do exercício pleno de cidadania de crianças, adolescentes e jovens no Brasil, ainda que assegurado constitucionalmente (Brasil, 1988), por outro, o que vemos são instituições escolares à mercê de políticas educacionais insuficientes, descontínuas e afastadas da realidade social da população que deseja atingir, estamos distantes da oferta de um ensino-processo capaz de criar perspectivas de futuro em nossos jovens, pois as escolas, em sua maioria, têm funcionado muito mais como dispositivos disciplinares produtores de subjetividades coletivas subjugadas do que, propriamente, contribuído para a formação dos jovens, seja na direção de suas aspirações e desejos, seja como cidadãos autônomos. O sistema escolar tem reduzido sua função de "ensinar", a transmitir conteúdos, habilidades, competências para a inserção no mercado. Conseqüentemente tem estado mais sensível às demandas do mercado do que aos grandes embates da sociedade. Com relação à infância e à juventude, talvez tenha estado mais preocupado em torná-las empregáveis do que em entender os perversos processos de sua destruição por meio das diversas formas de violência". (GONZALEZ ARROYO, Miguel)
O modo como o fenômeno da violência se expressa atualmente, aponta para a constatação da ausência da palavra, ausência do diálogo e de uma visão crítica, seja por parte de quem assiste ou de quem vivencia a violência. A escola, a família e os meios de comunicação teriam função extremamente importante na abertura deste diálogo, mas à medida que as duas primeiras se calam e os meios de comunicação não param de falar de maneira sensacionalista, a cultura da revolta diante do que choca, do que deveria espantar, transforma-se em cultura do show e do entretenimento. Os meios de comunicação constroem uma imagem da violência em que essa é eternamente repetida, capturando o indivíduo nessa repetição, sem que haja possibilidade de simbolização por parte deste, ou seja, a violência, como linguagem pode prescindir da violência como ato social.

Existe, por um lado, uma sociedade que procura criar modelos de identidade baseados no glamour, no consumismo e na fantasia, passando a falsa idéia de ascensão social fácil, rápida e possível para todos. Njaine e Minayo (2003), ao realizarem pesquisa sobre violência em escolas públicas e particulares, junto a professores e alunos, relatam que os professores vêem a televisão como um meio que contribui na formação da identidade dos jovens, promovendo esses modelos de ascensão, considerados, como "maus modelos", tais como os artistas, pagodeiros, jogadores de futebol, manequins. Estes modelos preconizam que existe um jeito fácil de se alcançar sucesso, que dispensa o estudo e o trabalho, assim como o de enriquecer fartamente, através das figuras de políticos que ganham fortunas de maneiras ilícita são considerados ?normais?.

A violência na escola reflete "apenas" o resultado de uma sociedade baseada no capitalismo selvagem, sem valor ético. A reprodução do sistema que oprime, onde existe não existe a figura do sujeito crítico apenas o cidadã consumidor.

João Filho- Professor da rede pública de São Paulo. Professor de história e pós graduado em met. do ens. de filosofia.

No âmbito do binômio - pe não são
as r violência

Nenhum comentário:

FAÇA SUA PESQUISA